Uma paisagem de jornaleiros, montados e a cortiça. Viajamos para Carvalhos, a Videira e a Figueira de Vargas, o triângulo da pobreza em Portugal. Uma geometria de faltas de cinquenta quilômetros. De acordo com as últimas estatísticas da Agência Tributária, os três estão entre os sete municípios de mais de mil habitantes mais humildes do estado.
Nada mais longe de um episódio de western com arbustos rolando. Mas pela seqüência do cinexín a carência é o dinheiro. Com efeito, se a renda média espanhola é de 25.852 euros, aqui é um tanto menos da metade.
O que não explicam os números explicam as pessoas. É pelo modo de vida -diz Juan Estevez, peão florestal. O que você vê. Aqui quase o mundo inteiro vive de conceder peonadas no campo. Como seus pais. E como os pais de seus pais. É como se estes povos, de algum jeito, fossem povos de outro tempo.
- Premier Bandoneonbau Peter Spende (Alemanha)
- Leva tempo rumoreándose que você vai deixar de tocar ao vivo
- dois Embaixadores de Prognósticos
- Estádio do Atlético UDC-C
- Um computador pessoal será 1.000 vezes mais poderoso que o cérebro humano
- 105KM. A vantagem de os sete fugitivos é 2’52”
A maioria vive de 426 euros que dão durante 6 meses por ter feito 35 peonadas. Isso são sete euros por dia, no fim do ano, menos ainda do que dizem as estatísticas. E com isto não viveres. Porque o campo não se fatura.
Na urbanização mais necessitado do povo mais miserável, a residência mais indigente não toca nem a 80 euros por barba por mês. Desta maneira chama tal a atenção que este parágrafo termina como termina: “Aqui nós somos felizes”. É feliz Maria Fernanda Valero, que perdeu um filho.
É feliz o marido, Manuel Ardila, que entra a pensão dos 396 euros desde o acaso e não podes trabalhar. É feliz a tua filha, Desirée, que não para de fumar. É feliz o genro, José, que se foi, e voltou, e tem o braço quebrado.
É feliz Aitana, a neta de dois anos. E até parece feliz a cadela Shira, um staffordshire, que olha o porco vietnamita como se olha pra uma cerveja gelada no verão. Há alguma coisa pela dinâmica vital destas gentes e das terras, que lembra a família Joad de As vinhas da ira, o imortal de Steinbeck: temp que se movimentam à busca de um jornal. Pais, mães e filhos, dependendo de o que diz o céu e sobre o assunto toda a terra. Passando a trabalhar umas semanas por aqui e ali. Como numa corrida.
Por salários diários que irão dos 30 euros de fruta aos 70 anos da cortiça. Quando é setembro ou outubro, famílias inteiras viajam para a área da Terra de Barros a azeitona. Quando é agosto deslocam-se para a Albuera a vindima. Para deslocar-se fazer peonadas em frutíferas há que ir até Olivença.
